SuperAção

SuperAção. Uma atitude definitiva para ultrapassar os limites que me encarceram e conseguir expressar no meu corpo e no meu cotidiano a Energia e a Vida que estão guardadas no fundo da minha alma.

Domingo, Março 05, 2006

3 em 1

Eu precisava fazer hora por ali pra ir pro meu bico. O texto pra aula seguinte estava em casa, e eu não teria tempo pra estudar porque chegaria muito tarde. Então, resolvi passar na biblioteca e estudar lá mesmo.

Quando decidi isso, já comecei a não me sentir muito bem. Aquela sensação de sair correndo e me esconder debaixo da mesa foi chegando.

Fiz tudo o que tinha que fazer, e nada da sensação passar. Fui pra biblioteca, procurei o livro, achei o capítulo, sentei pra ler. O pânico foi aumentando. As palavras se embaralhavam, eu não conseguia entender nada.

Mas insisti. Frase por frase, fui batalhando pra continuar.

De repente, o pânico começou a dar lugar a um sono incontrolável. Ainda tentei resistir, mas foi mais forte do que mim: baixei a cabeça e cochilei ali mesmo. Acordei depois de um tempo, terminei as últimas páginas, fechei o livro e fui embora dali.

Eu não consegui absorver todo o conteúdo do texto. Mesmo assim, ler até o final foi mais uma vitoriazinha pra mim, porque em outros tempos eu largaria o livro na mesma hora e sairia correndo pra achar um computador e fazer qualquer baboseira. Ou então, ainda pior: nem teria entrado na biblioteca, e continuaria passando mal mesmo assim.


No dia seguinte, minha mãe me acorda mais cedo pra avisar que o prédio está sem energia elétrica, e que eu deveria me adiantar pra dar tempo de descer as escadas. Oito andares.

Eu resolvi que não iria. Resolvi que não valia a pena pra mim forçar meu pé e correr o risco de piorar minha tendinite, nem valia a pena enfrentar meu pavor daquelas escadas escuras, pra assistir a apenas uma aula. A mesma do texto que fiquei estudando na biblioteca.

Ainda levantei, me arrumei, e esperei até o último minuto pra avisar minha carona, pra ver se dava tempo de a luz voltar. Quando liguei pra menina, a pobrezinha já estava me esperando na portaria do prédio. Mesmo assim não fui.

Minha avó e minha mãe não se conformaram. Ficaram dando indiretas e diretas sobre o meu desleixo, minha preguiça, minha falta de consideração.

Por um tempo eu fiquei mal, o pânico ameaçando de chegar. Porque eu estava em dúvida se deveria mesmo ter feito aquilo. Estava me sentindo culpada por não assistir à aula e por deixar a menina esperando, e quando elas ainda reforçaram isso, foi um pulinho pra eu começar a passar mal. Mas fui pro quarto, me tranquei, arrumei tudo, terminei meu Sherlock Holmes e arranjei mais um pra ler, e acabe ficando bem o resto do dia.

Exceto pela irritação de ter que ficar o dia inteirinho sem elevador e com a energia elétrica indo e voltando, e exceto também pela angústia de começar a escurecer sem poder acender uma lampadazinha e sem poder fazer nada, fiquei bem.


E no sábado, pouco antes da hora do almoço, minha mãe pediu pra eu lavar a louça que estava acumulada desde o jantar passado. Eu estava lá ensaboando e enxaguando, quando percebi que ia começar a passar mal.

Dessa vez foi difícil segurar. Eu quase larguei os pratos e fui em encolher no sofá da sala, quase saí correndo pra chorar. Foi muito estranho. Cheguei a fazer menção de soltar o pano de prato sobre a pia, mas resolvi continuar ali de pé lavando a louça, e ver o que acontecia.

O pânico melhorou um pouco, mas ainda persistiu até pouco depois de eu já ter terminado com a louça.

E dessa vez eu não consegui perceber nenhum padrão, nenhuma semelhança com outros episódios. Simplesmente aconteceu.

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